Postagens e repostagens daquilo que merece ser compartilhado: o nosso universo geek.

Bom mesmo é o multiplayer local

Assim como a maioria das coisas do nosso dia-a-dia, o vídeo game se tornou mais um aparato que tem conexão com a internet. Celulares, tablets, computadores, TVs, GPS e cia, usam a conexão com fontes de dados internacionais para aprimorarem sua experiência, ou simplesmente “só serem executados mesmo”. Chat do facebook pra cá, traçar rota pra lá, Netflix a-co-lá, e estamos todos felizes, mas uma coisa deixa a interrogação: essas realidades mudaram as relações interpessoais para pior?

Apesar de não poder reclamar da minha infância – que ainda perdura! – são poucos os momentos realmente memoráveis de interação com amigos ou família, que não aqueles em que estávamos fazendo alguma coisa juntos. Assistir a filmes, por exemplo, era um dos meus passatempos preferidos! Sempre alugávamos VHS na locadora aqui de perto, nos juntamos anoite e assistíamos a algum bom filme. Era divertido  Ter pessoas para compartilhar risadas em um filme de comédia, pessoas para comentar durante filmes de ação, pessoas para nos acolhermos em filmes de terror. Era mais que divertido, era completo.

O tempo passou e a TV ficou banalizada, a não ser que sua família seja fissurada em novelas, já não há mais programação que nos prenda juntos. Aposto que na última vez em que se sentou para assistir a um filme com a sua família, estava com o seu notebook, tablet ou smarphone em mãos – se não, mais de um desses -, ou seja, se concentrando em gente distante, abandonando o companheirismo por quem está ali, contigo. Contudo, esse novo paradigma não se restringiu apenas ao mundo da televisão, os vídeo-games seguem – até forçadamente, como já vou explicar – o mesmo rumo.

Se assistir TV com a minha família era incrível, jogar um bom game com um amigaço, era ‘platinar’ a infância. Um dos momentos mais memoráveis da minha infância, devo adicionar, foi jogar Resident Evil Survivor de ponta à ponta junto ao meu antigo amigo, o Pedrinho. Nós trancávamos uma sala, pegávamos um TV antiga (a única na qual eu podia mexer) e montávamos o meu novíssimo (na época, é claro) PSone. Durante a tarde inteira, a gente passou por fases; falávamos sem parar para tentar disfarçar o medo – e eu ainda brincava que ia fazer cocô na casa dele (essa referência vocês vão ter que descobrir sozinhos), e tudo era mais divertido. Vigilante 8, Winning Eleven, Metal Slug, Street Fighter… Até jogos de campanha singleplayer nos divertia juntos.

Mas ao contrário de que essa época foi, hoje o mundo gira em torno de grandes distâncias. Como uma relação inversamente proporcional, aquele que está distante, acessível apenas por um meio de comunicação sem fronteiras física – como a internet – parece mais notável que o alguém que estaria ao seu lado. Como se jogar um multiplayer com um colega de sala fosse menos atrativo que encontrar dezenas de anônimos em uma rede, como a PSN, para ficar se irritando com. É confusa essa troca de valores… E sobre isso ainda ter um lado forçado: eu não posso mais chamar algum conhecido para jogar sabendo que, diferente do PS1, PS2, Nintendo 64, o meu Playstation 3 não vai ter uma super gama de jogos feitos especialmente para se jogar em casa, com pessoas mais chegadas. A produtoras não acreditam mais no multiplayer local.

Mais do que uma questão de valorizar quem está por perto, valorizar a relação humana. Não é exagero pensar que você perdeu contato com os seus amigos que jogavam vídeo-game, por eles estarem ocupados demais com qualquer coisa que os obrigue a manter distância e, em casos controversos, façam login e comecem a jogar com você online. Cadê as risadas? Cadê a luz da sala apagada para jogar um game de terror? Cadê nossos amigos, amigos?

Deixa esse iPhone de lado e vai procurar gente para interagir, quem sabe uma namorada jogue e seja melhor companhia que sua siri; aquele seu velho amigo pode ser mais camarada que esse semi-desconhecido com quem você tanto conversa pelo facebook.

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Flavio Martins.

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